A REGRA DE OURO DE 20 EMPRESÁRIOS DE SUCESSO
Vinte dos mais bem-sucedidos empresários e executivos brasileiros revelam quais são seus
mandamentos decisivos para a prosperidade dos negócios
Todo homem (ou mulher) de negócios coleciona, ao longo de sua trajetória, um conjunto de ensinamentos que
servem como atalho para o sucesso. São lições e crenças que nem sempre estão escritas nos livros de
administração, mas cuja aplicação foi ou é decisiva para a história da empresa. A experiência -- o exercício
constante com seus erros e acertos -- está na essência das regras empresariais.
Para elaborar uma cartilha que sintetizasse a sabedoria prática do mundo dos negócios, EXAME consultou 20
dos mais importantes e bem-sucedidos executivos, empreendedores e empresários brasileiros. Somadas, as
empresas que comandam ou controlam como acionistas geram receitas de mais de 75 bilhões de reais por ano.
Perguntamos a esses personagens qual era a sua regra de ouro, o principal mandamento sobre o qual eles
norteiam o dia-a-dia de suas empresas. São princípios dos quais não abrem mão. Apresentados nas páginas
seguintes, os depoimentos de cada um deles contribuem para formar um precioso conjunto de princípios --
fundados sobretudo no bom senso e valiosos para o sucesso no mundo dos negócios.
David Feffer
48 anos, presidente da Suzano Holding
"Nunca se desespere por causa de um dia ruim -- e nunca tome decisões embalado por um dia
bom"
Esse é um dos melhores conselhos que recebi. Foi meu pai quem me deu e sempre é muito
valioso tanto em momentos de desespero quanto nos de euforia. É comum que o ânimo caia quando os
resultados vão mal e também é comum que, com a melhor das intenções, você tenha um impulso irresistível
para aproveitar uma grande oportunidade de negócio. Todo dia chega ao fim -- para o bem e para o mal. Se
está tudo dando errado, calma. Amanhã pode ser diferente. Se tiver tranqüilidade, você dorme e levanta com
nova energia para resolver as coisas. Em momentos de euforia, você pode tomar uma decisão
apressadamente e cair no abismo. Em vez disso, pense cuidadosamente. Com exceção de casos
excepcionais, jamais tome uma decisão sob ansiedade.
Jorge Paulo Lemann
66 anos, acionista da INBEV e da Lojas Americanas
"Tenha sempre em vista o seu sucessor"
Buscar a perenização de um negócio é a coisa mais importante que qualquer empresário pode e
deve fazer. Para isso, é fundamental que a sucessão dos líderes seja uma preocupação
constante. Uma maneira de encaminhar a sucessão é identificar quais profissionais, dentre os principais
talentos da empresa, podem se transformar em sócios. É fundamental que eles gostem da empresa, sintam
prazer de trabalhar nela e queiram fazê-la crescer. Um processo bem realizado de seleção de talentos garante
continuidade à empresa e a manutenção dos seus princípios e da sua cultura.
Luiz Seabra
63 anos, sócio-fundador da Natura
"Acredite em sua intuição -- mesmo contra argumentos racionais"
A Natura não existiria hoje sem essa premissa. No início, toda análise puramente racional
indicava que o melhor a fazer seria jogar tudo para o alto e voltar a procurar emprego numa
multinacional. Demoramos anos para ter resultados. Mas eu nutria uma convicção de que ia dar certo,
totalmente baseada em intuição e na percepção que tinha ao atender diretamente as clientes no balcão. Muitas
vezes, não sabia se ia dar para pagar a conta de luz no fim do mês. Mas eu era obstinado, estava
completamente apaixonado e percebia a oportunidade que havia ali. Quando existe um sonho que
não sai da sua cabeça, não deixe nada te abater pelo caminho.
Luiz Alberto Garcia
70anos, presidente do Conselho da ALGAR
"O modo mais fácil de botar um barco a pique é colocar dois c omandantes a bordo"
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Esse foi um dos primeiros conselhos que recebi na minha vida profissional -- e um que eu sigo até hoje. Na
época, meu pai era o presidente do grupo Algar e eu estava começando a acompanhá-lo na condução dos
negócios. Já dividia algumas decisões importantes com ele e queria sempre impor a minha visão. Nós
brigávamos muito nessa época. Foi quando um professor da faculdade que eu cursava disse a frase acima.
Tinha tudo a ver com o momento que eu estava vivendo. Refleti e me dei conta de que o comandante era o
presidente, meu pai. Dali para a frente ficou claro que a passagem de poder tem de ser uma corrida de bastão
-- na qual quem o entrega e quem o recebe correm juntos e cedem e tomam espaços de maneira gradual e
harmônica. Não dá para ter duas pessoas com as mesmas atribuições ao mesmo tempo.